<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4508295288497764566</id><updated>2012-01-30T17:43:54.473Z</updated><title type='text'>Portugal não é para todos</title><subtitle type='html'>Prof. karmo, futurólogo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://profkarmo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4508295288497764566/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profkarmo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4508295288497764566.post-3947201155484648403</id><published>2008-08-31T18:04:00.376+01:00</published><updated>2012-01-30T17:43:54.485Z</updated><title type='text'>PARTE  I  -  Apresentação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;UM TEXTO CIENTÍFICO E PALERMA, DE INFORMAÇÃO ALTERNATIVA E CONVERSA FIADA, ESCRITO POR UM IMBECIL E RECOMENDADO PELAS ALTAS INDIVIDUALIDADES DA NAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para a minha mulher-a-dias o ser humano tem algo de fundamentalmente errado. Ela pediu que esta prosa de cultura light (para não cansar), de puro entretenimento e glamour, drigida a políticos, economistas e restante povo, fosse dedicada a todos aqueles portugueses que, ao nascerem, vão confrontar-se com uma surpresa: não irão ter qualidade de vida. Como diz o ditado, não é feliz quem quer, quem se lixa é o mexilhão e o milho é para os pardais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ela, que é sensível a estas coisas (não está anestesiada) e não se conforma com tal, defende que algo não bate certo, há aqui um problema, uma anormalidade e pergunta se não estamos perante uma questão social que deve ser resolvida. Pensa que o grande busílis dos dias de hoje é o acesso ou não de uma pessoa à qualidade de vida e que não faz sentido, constitui um atentado à inteligência alguém vir a este Mundo para ter uma existência penosa, sem dignidade. "É a economia estúpido!" cuspiu-me com a sua&amp;nbsp;proverbial frontalidade. "E se&amp;nbsp;&amp;nbsp;é&amp;nbsp;minimamente esperto&amp;nbsp;faça um País onde se acabe com a pobreza e&amp;nbsp;haja&amp;nbsp;qualidade de vida!" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para o nosso leitor Mário Soares, de Bragança,&amp;nbsp;não é possível&amp;nbsp;ter cultura e civilização quando há pessoas na pobreza ou sem qualidade de vida: "Qualquer pessoa inteligente percebe isso". Também está cada vez mais convencido que a verdade é como a água-benta, cada um toma a que quer, e&amp;nbsp;existe quem não veja o óbvio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O nosso leitor Eça de Queirós, de Lisboa, não compreende que haja pessoas com qualidade de vida e outras sem tal. Pergunta se é lerda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img alt="" border="0" height="194" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241723836450006562" src="http://3.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5YDrJM5iI/AAAAAAAAAAM/MytHW9FWRDo/s320/pic1.jpg" style="display: block; height: 194px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 277px;" width="277" /&gt;Este texto tem uma razão de ser. Durante anos joguei na Lotaria, Totoloto, Euromilhões, etc., como um burro atrás da cenoura e nunca me saiu coisa de jeito. Furioso, resolvi mudar de estratégia para fazer muito dinheiro (sempre desejei ser podre de rico, pois&amp;nbsp;nasci para vencer). Depois de pensar aturadamente, decidi escrever um texto de humor, apesar de não possuir qualidades para tal e ser uma pessoa de vistas curtas e rigidez mental, factos que o leitor, incauto, terá ocasião de comprovar com a sua inteligência aguçada, ao ler esta prosa intragável. Se ela for publicada em livro e no mínimo metade dos portugueses o comprar (somos dez milhões) ficarei a&amp;nbsp;nadar em dinheiro. A minha mulher-a-dias diz que estou alienado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Considero-me o maior pensador pimba da atualidade. Atrás de mim estará uma equipa multidisciplinar, como agora é uso. Tudo faremos para ficar na Antologia do Disparate em Portugal (dizem que a fé move montanhas). Procuraremos não dizer coisa com coisa e fazer&amp;nbsp;um texto de última geração, o&amp;nbsp;mais fedorento alguma vez escrito. Esta será a nossa empolgante e modesta contribuição para a felicidade do País. Queremos ser «Os Lusíadas» do séc. XXI. Não fazemos a coisa por menos. Oxalá Deus nos ajude, pois falta-nos o engenho e a arte. Todas as nossas pungentes calinadas passarão por um apertado controlo de qualidade. Os superiores interesses da Nação exigem-no. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se por acaso o leitor encontrar alguma coisa acertada, é favor dizer-nos, para que possamos corrigir o erro. Damos atenção aos detalhes. Temos brio profissional. Transcendemo-nos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A fim de colmatar a falta de substância e mediocridade do nosso discurso, usaremos um tom perentório e inflamado. No entanto, para nós a qualidade e profundidade do pensamento (base de qualquer revolução intelectual) é sagrada. Como vivemos num tempo que reconhece o mérito, temos a certeza de que as nossas palermices terão a sorte que merecem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Qual a linha editorial do sítio? perguntar-me-ão. É o que me vier à cabeça, uma salganhada, como vai verificar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Apesar de ser uma pessoa de ideais e não cínica, com sensibilidade social e sempre a ferver de patriotismo (balofo), defendo (contrariamente à minha mulher-a-dias) uma sociedade dual (digo isto claramente), um Portugal rasca, disfuncional, onde haja sempre cidadãos de primeira (os que têm qualidade de vida) e de segunda (os que não usufruem dessa sorte). O valor da vida não é igual para todos. Tal arrasta-se desde a fundação do País, não sei se já repararam. Ao referir isto não pretendo pôr o dedo na ferida, ou encarar as coisas de frente. Para a minha mulher-a-dias o verdadeiro patriotismo é não aceitar que haja quem&amp;nbsp;se arraste&amp;nbsp;sem qualidade de vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por que existe quem viva na pobreza ou no desemprego? O Mundo não é perfeito.&amp;nbsp;É intuitivo que Portugal não será para todos. Isto não me tira o sono (dizem que a indiferença é um problema cultural). Não é preciso ser licenciado para perceber esta dura verdade. Haverá sempre quem chuche no dedo, os vencidos da vida, que passam ao lado desta, sem honra nem glória. Quanto a isto sou um visionário. No jogo social, como no xadrez, há os que ganham e os que perdem (desigualdade existencial). Uma mão invisível (forças subterrâneas) encarrega-se disso, apesar da democracia e&amp;nbsp;por mais que se tente remar contra a maré. Todos somos portugueses, mas uns são mais iguais do que outros (agarre esta ideia). A economia não tem de funcionar para todos (batota social, segundo alguns). É como a dança das cadeiras, em que alguém fica de fora. No atual&amp;nbsp;momento histórico, os assentos disponíveis tendem a diminuir. Cada vez mais haverá pessoas excedentárias. Assim,&amp;nbsp;o leitor&amp;nbsp;por mais que se esforce pode não&amp;nbsp;ter qualquer chance de&amp;nbsp;sair do buraco em que se encontra, se for esse o caso. Pelo andar da carruagem a situação da 3ª idade irá piorar e de que maneira. A pobreza é algo natural, dizem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Um conhecido meu defende que o&amp;nbsp;povão não precisa de saber as razões do que lhe acontece (opacidade social), mas apenas saber queixar-se. Repare-se que na natureza existem vencedores e perdedores, numa competividade sem fim e levada ao limite. Além disso, "a pobreza é um bem, na medida em que liberta os homens dos vícios associados à riqueza", isto segundo S. Tomás de Aquino.&amp;nbsp;Também os pobres estão habituados à sua condição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Um Prémio Nobel da Economia (Okun) dizia que o alcatruz da distribuição da riqueza tem muitos furos. "Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não sabe da arte". Os dados parecem estar viciados à partida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A minha vizinha do 9º Esq., que por acaso já foi vítima de assédio psicológico no local de trabalho, defende que&amp;nbsp;ninguém deve ser impedido de aceder à qualidade de vida.&amp;nbsp;Esta não é um direito humano, segundo o pensamento convencional e por várias razões (o pensamento convencional é, para a minha mulher-a-dias, como as velas do moinho, andam sempre à volta, mas não saem do mesmo sítio). Essa de todos terem lugar no Mundo é uma utopia óbvia. Eis a razão de, por exemplo, nos Estados Unidos não se pôr a questão de acabar com a pobreza (a guerra contra esta deu lugar à Guerra do Vietname há umas dezenas de anos).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para o meu primo João, que sofre do complexo de superioridade e é a favor do sucesso individual e não social,&amp;nbsp;a plebe&amp;nbsp;devia estar feliz por viver no paraíso da economia de mercado (liberalismo económico) e o "Admirável Mundo Novo" da precariedade (que também atinge os quadros médios e superiores) e dos salários «low cost» (baixos) são como um remédio doloroso, mas eficaz, para navegar na economia da globalização, apesar de rasgarem o tecido social e levarem à quebra demográfica (o ascensor social funciona agora ao contrário, surgem os novos pobres). Na prática trata-se de&amp;nbsp;generalizar a pobreza para combater o desemprego, apesar do aumento constante da produtividade.&amp;nbsp;Quem quiser viver no paraíso da economia de mercado tem de caminhar sobre os seus espinhos. A "ciência" económica&amp;nbsp;defende que os salários baixos facilitam a criação de emprego, o que é falso pois um pobre é um consumidor fraco.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também defende que&amp;nbsp;se quisermos eficiência não teremos equidade. Assim, acrescentamos nós, os sem-abrigo são uma prova da eficiência. Também para a "ciência" económica a caridade&amp;nbsp;é a melhor forma de combater a pobreza, pois não interfere com a eficiência. A indigência igualmente permite às empresas usar a caridade como forma de publicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A vida não é para brincadeiras e para muitos, um verdadeiro calvário. Isso da dignificação do trabalho ,"emprego decente" segundo a Organização Mundial do Trabalho, é uma balela (mais vale um mau emprego do que nenhum,&amp;nbsp;para o Nobel Krugman). Se&amp;nbsp;se difundir uma cultura individualista (atomismo social) e&amp;nbsp;o Povo for ignorante, ou tiver um saber fragmentado (apesar da era da informação) temos a certeza de que tudo ficará na mesma. Mais, é preciso&amp;nbsp;fazer alguma coisa para as coisas continuarem como estão. O passado resiste sempre. Segundo a Teoria dos Jogos, uma pessoa pode ficar em situação pior se procurar apenas o seu interesse pessoal, o cada um que se safe. Uma sociedade em que meio-mundo tenta enganar o outro e existem muitos interesses instalados não vai longe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sejamos rigorosos,&amp;nbsp;se fosse vontade de Deus, que é omnipotente, uma Terra sem miséria, tinha-a feito. Quem vive na pobreza deverá ter paciência e resignar-se (comer e calar). O cantor Leo Ferré dizia que para vender a infelicidade basta encontrar a fórmula certa. Há que&amp;nbsp;impingir o problema e a pretensa solução do mesmo. Este mundo não é o da inocência das crianças. Que isto seja&amp;nbsp;lembrado mil vezes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A pobreza em Portugal é estrutural (por muito que aumente o PIB ela não acabará). Alguém perguntou se com a ciência e a técnica não haveria motivo para que haja quem&amp;nbsp;vegete na indigência. Nada mais falso, apesar de existirem países que remeteram a pobreza para níveis residuais. Essa de as pessoas serem iguais como os dentes de um pente, no que se refere ao direito à qualidade de vida é uma falácia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O meu vizinho de cima diz que a qualidade de vida é o critério de validação e calibração de uma teoria económica ou sistema político. A eficiência terá que ser em última instância humana, elementar. Isto vale tanto para os regimes comunistas como para a economia de mercado (é mais fácil ver os defeitos nos outros do que em nós). O meu filho Pedrito, de 6 anos, pergunta se a economia de mercado é eficiente por que não consegue erradicar a pobreza de Portugal. A minha vizinha&amp;nbsp;Teodora diz que está previsto acabar com a pobreza&amp;nbsp;no País lá para as calendas gregas e faz notar que no tempo da ciência e da técnica a maior parte dos seres humanos do Planeta vive na pobreza. Um grande dramaturgo inglês dizia que algo está podre no Reino das Berlengas. Paradoxalmente nunca na história da humanidade houve tantos esfomeados. Este é o "Mundo da Vergonha".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A despropósito, dizem que é difícil alguém mudar a sua maneira de pensar, que se podem ignorar os problemas e que as pedras não se comovem com as desventuras da humanidade, mas não acredito. Também é possível construir o devir com mentalidades do passado e Portugal vive um momento glorioso da sua história: chegou à falência em 2o11, pois há anos que consumia mais do que produzia (desequilíbrio macroeconómico). O seu endividamento em bola de neve arriscava-se a rebentar como um balão, não fora a intervenção externa. A dívida externa líquida portuguesa chegou aos cerca de 100% do PIB, em 2008. Houve uma falta de poupança interna para financiar o investimento, que foi buscar dinheiro ao exterior. Para piorar as coisas, mais de 70% do investimento escoou-se para a construção civil, em detrimento do setor exportador, por exemplo. A ratoeira da baixa da taxa de juros levou ao aumento do consumo. Como a produção nacional não era suficiente (setor dos bens transacionáveis anémico, de baixo valor-acrescentado) houve o aumento das importações. Os governos não quiseram tomar medidas antipáticas (populismo). Seguiram uma política pró-ciclo económico, expansionista, quando não o deviam ter feito, e o cenário agora está preto. As regras prudenciais foram esquecidas. Estrondoso fracasso. O País está num&amp;nbsp;beco e possivelmente em decadência por longos anos. Uma tragédia grega. As coisas vão começar a doer e de que maneira. O futuro está de certa maneira hipotecado. Muitos&amp;nbsp;sofrerão uma "pobreza imerecida", frisou um antigo ministro. Irão&amp;nbsp;amargar o pão que o Diabo amassou. Os problemas sociais e as insónias vão florir. Foi a falência do pensamento estratégico. Alguém (a elite política) tramou alguém, que terá que pagar a fatura. Se as coisas já são difíceis, ainda se conseguiu fazer pior. A minha mulher-a-dias&amp;nbsp;aponta o dedo a certas elites&amp;nbsp;supostamente esclarecidas.&amp;nbsp;Dizem que o ser humano é o principal inimigo e coveiro de si próprio. A mente humana tem razões que a razão desconhece. Tratou-se de um caso de gestão danosa (a irresponsabilidade e a irracionalidade são possíveis), coisa que já aconteceu noutros países. Na Grécia a insanidade chegou ao ponto de se maquilharem as contas públicas, com a ajuda de uma competente consultora inernacional. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se não houver uma renovação dos quadros políticos, o nosso destino continuará nas mesmas mãos, notou alguém. Tal arrefece qualquer otimismo. É espantoso que nenhum político tenha assumido responsabilidades pelo sobreendividamento. Ninguém enfia a carapuça, nem será responsabilizado, tal como na crise mundial de 2008, provocada pelos empréstimos subprime nos EUA&amp;nbsp;e que&amp;nbsp;acelerou a crise portuguesa. Houve uma cegueira coletiva, pois, apesar de desde há anos alguns economistas avisarem que estávamos a caminhar para a insolvência, o País só acordou para a realidade já à beira do precipício. Não se pode dar conta da tempestade apenas quando nos bate à porta (uma questão de pesamento abstrato). O nosso leitor Jorge Sampaio, morador no Fundão,&amp;nbsp;acha que a crise de 2008 mostrou claramente o risco sistémico da atual arquitetura económica mundial: se uma peça do dominó cair pode arrastar as outras. Muita água ainda vai correr debaixo da ponte. A crise de 2008 também mostrou que os mercados na sua infinita sabedoria, se os deixarem, conseguem levar a humanidade para o abismo, como aconteceu em 1929.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O meu vizinho Arnaldo&amp;nbsp;pensa que não é por acaso que Portugal é uma das zonas mais desiguais da União Europeia e que se arrisca a ser o país mais latino-americano do Velho Continente. Falhar a distribuição da riqueza é falhar o desenvolvimento. Foi isso o que aconteceu, segundo ele, à América Latina. A desigualdade e a pobreza são indicadores do subdesenvolvimento, como as duas faces de uma moeda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sociedades mais igualitárias como as do Norte da Europa e o Japão têm populações mais saudáveis (mesmo entre as classes altas)&amp;nbsp;e menos problemas sociais, do que nações como EUA, Portugal e Reino Unido, que ocupam este triste pódio, no que aos países mais ricos se refere. Estas nações tendem a apresentar mais insucesso escolar, violência, doenças mentais, consumo de drogas, gravidezes na adolescência, etc. Curiosamente isto é independente do nível do PIB. Estas disfunções sociais levam ao aumento das despesas negativas, que tratam os sintomas e não as causas. Portugal, que por exemplo apresenta ou apresentou a segunda maior taxa de homicídios dos países mais abonados, tem 450 polícias por cada cem mil habitantes. A Suécia possui apenas 181. A generalidade dos economistas não considera a variável da desigualdade, por ignorância. A desigualdade e a coesão social são um problema político. Demasiada desigualdade tem um preço alto e com juros. A desigualdade está a crescer a nível de país e entre países. Vamos ver onde&amp;nbsp;este descontrolo&amp;nbsp;vai parar. É consensual que a atividade económica por si não leva à equidade. Imagine-se o que acontecerá se a progressividade dos impostos perde velocidade e se se inventarem os impostos regressivos: nos Estados Unidos uma pessoa pode pagar uma taxa de imposto menor do que a de alguém com menores rendimentos. O bolo do rendimento para a maior parte da população&amp;nbsp;mingua. Eta&amp;nbsp;começa a viver em austeridade e endivida-se. A&amp;nbsp;corda é esticada ao máximo para muitos. Até 2008, nos EUA, 10% das pessoas comiam 50% do rendimento (Robert Reich). Demasiada desigualdade leva ao empobrecimento de parte significativa da população.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Chegou a hora do ajuste de&amp;nbsp;contas com a classe média. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para um nosso leitor, com&amp;nbsp;a derrota do comunismo a social-democracia deixou de ser útil e a economia de mercado não tem agora que provar o que quer que seja a ninguém. Para a minha mulher-a-dias partir a espinha à classe média é fazer o mesmo à economia. A produção necessita da procura, óbvio. Países desenvolvidos ou de médio desenvolvimento não deveriam permitir salários e pensões&amp;nbsp;de pobreza (questão política). A "ciência" económica&amp;nbsp;jura que os salários são função da produtividade. No entanto, nos EUA houve uma diminuição do salário mínimo, apesar do aumento constante da produtividade. A evidência empírica não mostra uma relação&amp;nbsp;automática entre salário e produtividade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esta escrita, um pouco técnica, de Economia doméstica, foi só para impressionar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Retomando o fio à meada, como não existe verdade absoluta (contrariamente ao que se julga), pois as pessoas valorizam coisas diferentes, este texto é parcial. Apenas temos o objetivo modesto de convencer os que já estão convencidos e procuraremos não agradar nem a gregos nem a troianos, só para chatear. Isto não impedirá de darmos voz aos que a têm. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Já me esquecia, este é também um sítio oftalmológico (trata da cegueira intelectual). Fizemo-lo pois acreditamos no valor das ideias, mesmo que sejam tolices.&amp;nbsp;Estas constituem a base da intemporalidade e&amp;nbsp;universalidade&amp;nbsp;dos nossos pensamentos. &lt;br /&gt;Esta prosa é igualmente dedicada às boas-consciências bem pensantes como nós, que, por exemplo, aceitam que haja pobreza (para os outros), &amp;nbsp;para quem verdadeiramente o mundo começa e acaba no seu umbigo e dormem sempre o sono dos inocentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O poeta António Aleixo sustenta que "Para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade." Ou seja, uma meia-verdade é uma grande mentira. Tentaremos seguir este desiderato. Depois não nos acuse de que não avisámos. Como se costuma dizer, qualquer semelhança entre o que aqui for escrito e a realidade trata-se de pura coincidência. Esta é muito pior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;As pessoas têm pouco tempo para ler. Por isso o texto será extenso e também confuso (a coerência não é o nosso forte), pois temos dificuldades a nível do pensamento lógico, tal como acontece quando sonhamos (pensamento caótico). Dispararemos em todas as direções (talvez assim acertemos em alguma coisa). Isto e o primarismo dos nossos argumentos permitirá testar a paciência de chinês dos leitores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A apresentação será simples, despojada, pois o importante é o ser e não o parecer. A forma e a erudição jamais devem&amp;nbsp;passar à frente do&amp;nbsp;conteúdo, como acontece tão frequentemente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Só sei que nada sei, desabafava a minha avó. Temos de ser humildes. A realidade é extraordinariamente complexa, teimosa, não tenhamos ilusões. Se as coisas fossem simples já há muito a humanidade tinha resolvido os seus problemas. Temos tendência para conseguir ver apenas a árvore e não a floresta, para ter uma compreensão limitada da realidade. Por isso não somos donos da verdade. Além do mais estamos aqui para botar parvoíces, andamos noutra onda, como referimos. Não pretendemos contribuir para revolucionar o modo como vemos o Mundo (lançar uma nova luz)&amp;nbsp;e mudá-lo. Nada de desígnios elevados, a História não nos dará razão. &lt;img alt="" border="0" height="130" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241735201641033138" src="http://2.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5iZNx5bbI/AAAAAAAAAAs/YJduTG-Zs0s/s400/pic4.jpg" style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" width="307" /&gt; Pedimos desculpa por eventuais gralhas. O nosso revisor possui apenas o 6º ano de escolaridade. Quem não tem cão caça com gato. Não usaremos a norma culta do Português. Que&amp;nbsp;isto&amp;nbsp;não seja motivo de discriminação. Qualquer&amp;nbsp;um tem direito a fazer ouvir a sua voz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Está na moda a interatividade. O leitor poderá dar a sua opinião e até contribuir monetariamente para a rentabilização do sítio, através de depósito em conta bancária, cujo NIB daremos a conhecer. Não se esqueçam de que tenho 5 filhos para criar. Com isto não pretendo&amp;nbsp;tocar a canção do ceguinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Iremos aceitar publicidade, mas não qualquer uma. Este é um espaço de valores, regido pelos mais rigorosos padrões morais, que procuraremos não abandalhar completamente (como humanos temos tendência para transigir nos princípios, se surgirem razões fortes). Bancos, grandes empresas industriais e multinacionais (o grande capital) são os nossos anunciantes preferidos. Para consulta da tabela de preços deverão contactar o departamento comercial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="195" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241732470336088642" src="http://4.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5f6O4DakI/AAAAAAAAAAk/tI12yi3ivOo/s400/pic3.gif" style="float: left; height: 195px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 181px;" width="181" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se não gostar do sítio fale dele a um amigo. É uma maneira de lhe pregar uma partida. Isto poupar-nos-á o dinheiro que gastamos em publicidade, nos jornais e à qual ninguém presta atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas chega de verbosidade. Relendo o texto, vejo que não tem grande piada. Talvez as coisas melhorem. A esperança é a última a morrer. Em suma, se sofre de atrite reumatóide&amp;nbsp;e o seu tempo é precioso, não o desperdice com esta&amp;nbsp;escrita atabalhoada, fruto de alguém com parcas capacidades intelectuais (em declínio acentuado), nunca é demais repetir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Só mais uma coisa, a minha mulher-a-dias, a propósito de tudo e de nada, afirma que em Cuba não existe democracia política e em Portugal, democracia económica.&amp;nbsp;Defende que o ser humano tem uma racionalidade limitada&amp;nbsp;(de que se não apercebe) e aponta-me como exemplo disso. Diz que tenho, entre outros,&amp;nbsp;vários&amp;nbsp;problemas de software intelectual, já para não falar no hardware. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O&amp;nbsp;nosso leitor Ramalho Eanes, do Funchal, também acha que se somos espertos, então façamos uma Nação de excelência, de sucesso, onde se acabe com a pobreza e todos tenham qualidade de vida (ideia piedosa).&amp;nbsp;O meu&amp;nbsp;cão Tobias&amp;nbsp;pensa que os portugueses não têm fibra suficiente para fazer tal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Alguém disse que existe&amp;nbsp;um País por cumprir, apesar dos vários séculos da nossa história pujante, mas que não extirpou a simples fome da barriga dos portugas. Há que estar à altura da situação. Tem de se "projetar o futuro, para perceber a natureza do desafio e saber o que fazer no presente". O Povo tem de reinventar-se e mostrar o quanto vale o génio nacional. Trata-se de uma questão de inteligência coletiva, de audácia e coragem intelectual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ainda só mais uma coisa. A minha mulher-a-dias pensa, vá lá saber-se porquê, que o paradigma do crescimento económico, do mais do mesmo&amp;nbsp;devia dar lugar ao de desenvolvimento (um paradigma qualitativo que permite pensar para além da pura mecânica económica). Também acha que uma pessoa com qualidade de vida é mais produtiva do que uma que seja pobre, apesar de haver quem não ligue a isso. O trabalho "escravo" é pouco eficiente, para que se saiba. O modelo dos salários baixos é uma porta direta para o subdesenvolvimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O crescimento económico é incapaz de resolver os desafios do futuro, devido aos limites ambientais, que estão a ser perigosamente ultrapassados (caos climático devido ao aquecimento global).&amp;nbsp;Também a&amp;nbsp;prazo a Terra vai tornar-se&amp;nbsp;numa lixeira química. Por exemplo, o peixe dos oceanos (como o atum e o salmão) começa a estar contaminado com metais pesados.&amp;nbsp;O Mundo vai de sucesso em sucesso até ao possível estouro final. Espanta que economistas inteligentes não vejam esta evidência que entra pelos olhos (nem é preciso parar para pensar)&amp;nbsp;e persistam em raciocinar segundo um modelo ineficiente, que pode ser um caminho suicida, no sentido literal do termo (matar a vaca que dá o leite). Não é avisado persistir no erro. Há que ter um pensamento dialético e não fossilizado (plasticidade mental). O cérebro humano tem a obrigação de não cometer erros grosseiros. Existem limites para o crescimento. As árvores também não&amp;nbsp;sobem até ao céu. Pode-se falar muito em crescimento económico e ainda assim não consegui-lo, pois&amp;nbsp;há limites objectivos, que não só ambientais. Prevê-se que a partir de 2020 o crescimento na Europa será insignificante. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O conceito de desenvolvimento obriga a avaliar qualitativamente o PIB. Foi feito à custa de danos ambientais, de&amp;nbsp;condições de semi-escravatura? Não se&amp;nbsp;deve meter à força a realidade dentro de uma teoria&amp;nbsp;insuficiente. Em suma,&amp;nbsp;o modelo&amp;nbsp;do crescimento económico está esgotado, claríssimo como a água.&amp;nbsp;No entanto este "disparate" (segundo a minha mulher-a-dias) é defendido na Europa. O rei vai nu e ninguém diz nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O saber económico não pode andar em circuito fechado. Tem de abrir-se a outras áreas do conhecimento. A investigação sociológica mostra que, a partir de certo ponto, acréscimos do PIB não levam ao aumento da qualidade de vida. Muitos economistas desconhecem pura e simplesmente isto, nem estão interessados em sabê-lo. Resolver a questão da pobreza nos Estados Unidos não é uma questão de mais PIB, como facilmente se compreende.&amp;nbsp;A D. Josefina, a minha mulher-a-dias, é de opinião&amp;nbsp;que o paradigma "estúpido" do crescimento económico (pensamento convencional e&amp;nbsp;reducionismo claro)&amp;nbsp;representa uma resposta disfuncional à questão da qualidade de vida. Há que fazer uma análise mais fina da realidade. O desenvolvimento é uma questão cultural e não meramente económica, como muitas vezes se julga. Um país pode ser vítima da sua cultura.&amp;nbsp;Precisará então&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&amp;nbsp;de&amp;nbsp;desatar o nó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A&amp;nbsp;economia não faz sentido se não produzir qualidade de vida, o que nem sempre acontece, e o liberalismo económico (capitalismo puro e duro) conduz ao recuo do desenvolvimento, a uma involução histórica, o que está a acontecer paulatinamente neste momento.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Também quando o dinheiro vem primeiro do que as pessoas, é a medida de todas as coisas, está tudo estragado. O meu cão Tobias acha que aquele que só vê o dinheiro é um ser unidimensional, para quem o sonho não comanda a vida.&amp;nbsp;Acha que o vil metal compra muitas consciências. Veja-se a porta giratória entre os políticos e os grandes interesses económicos (promiscuidade e conflito de interesses). Existem políticos que são financiados pelo poder económico (corrupção indireta).&amp;nbsp;Há uma captura do Estado por interesses particulares, que subverte a democracia e prejudica claramente o interesse geral. A minha prima Alzira sonha com o dia em que o poder económico (mercados)&amp;nbsp;baterá o pé ao poder político. Então a democracia e a soberania estarão esvaziadas, quase sem se dar por isso. Em termos económicos é como&amp;nbsp;disparar um tiro no pé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A qualidade do pensamento está ligada à qualidade dos conceitos culturais e tecno-científicos que se usam. Por exemplo, se se aceitar a pobreza esta jamais acabará, por obra do puro jogo económico. Alguns economistas não querem ver isto, preferem&amp;nbsp;virar a cabeça&amp;nbsp;para o lado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;SABIA QUE &lt;br /&gt;Apesar de as elites portuguesas serem formadas por milhares de pessoas&amp;nbsp;superiormente inteligentes, estas ainda não conseguiram fazer um País sem pobreza, onde se tenha tenha qualidade de vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Uma nossa leitora escreveu-nos a dizer que nem só a Grécia fez contabilidade criativa. Em Portugal o Estado vendia a si própro edifícios muito acima do valor de mercado, gerando receitas fictícias. Também as receitas extraordinárias eram usadas para baixar o défice orçamental. Os fundos de pensões de empresas que passavam para o Estado eram postos como receitas, esquecendo que no futuro os encargos seriam maiores. Muitas despesas estavam escondidas, não apareciam no Orçamento (parcerias público-privadas). Isto já para não falar na venda de créditos fiscais, que se traduziu numa quebra de receitas, etc. &lt;br /&gt;O nosso leitor Alípio Santos diz que a artilharia não deve visar um alvo demasiado alto. Assim essa de criar um Mundo sem pobreza, em que ninguém será abandonado à sua sorte e onde todos seremos felizes para sempre é uma palermice. É bom que nos concentremos em coisas palpáveis, como a produtividade e a competividade (postura tecnocrática), senão passaremos mal. Se os sem-abrigo, desempregados e reformados pobres não gostam do paraíso da economia de mercado, experimentem viver num paraíso comunista. Acha que o nosso texto é uma&amp;nbsp;&amp;nbsp;amontoado indigente de lugares-comuns, sem validade científica. Acredita (candidamente) que se afinarmos os processos (concorrência, competividade, inovação, etc.) obteremos o melhor resultado social possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;TEMA DA PARTE II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A biografia do prof. Karmo no contexto do novo paradigma do conhecimento (NPC): Não há maior cego do que aquele que não quer ver, mesmo contra a evidência factual (cegueira intelectual).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Cada um só enxerga o que lhe convém e quanto a isto nada há a fazer. A minha mulher-a-dias defende que os interesses funcionam como verdadeiras chaves cognitivas e que isto da validação e aceitação do saber tem muito, mas muito que se lhe diga. Desafia qualquer um a provar o contrário. As coisas não são tão cristalinas como parecem. A mente humana é retorcida, capaz dos maiores malabarismos, em que o rigor e a honestidade intelectual são frequentemente lançados às urtigas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A despropósito, o meu primo atrás citado é contra a eutanásia. Uma pessoa deve morrer naturalmente, mesmo que isso signifique que seja em fogo lento. &lt;br /&gt;Ainda a despropósito, o nosso leitor João Semedo, que se&amp;nbsp;afirma uma pessoa de mente aberta,&amp;nbsp;espírito generoso e um reacionário incurável, defende que os trabalhadores, tal como o nome indica, servem para trabalhar (carne para canhão)&amp;nbsp;. Dá como exemplo os mineiros do volfrâmio em Portrugal, que durante décadas foram mero gado de trabalho e morriam ao fim de alguns anos de atividade. O&amp;nbsp;que interessa verdadeiramente é a qualidade de vida das elites, que&amp;nbsp;estão noutra dimensão, vivem noutro mundo. É a favor de uma estratégia de tensão laboral (luta de classes ao contrário), mas sem chegar aos extremos do que aconteceu&amp;nbsp;há poucos&amp;nbsp; anos&amp;nbsp;na France Telecom, em que vários trabalhadores se suicidaram. Lembra que a "ciência" económica considera os sindicatos uma fonte de concorrência imperfeita (Samuelson). São tolerados porque se vive em democracia, senão outro galo cantaria. A leitora Maria Santos, que se considera uma egocêntrica pura,&amp;nbsp;diz-nos que só se dá com pessoas interessantes. Não gosta de pobretanas. Também não sabe o que é isso de racismo social. &lt;br /&gt;Só mais uma coisa, Portugal tem cerca se um milhão de alcoólicos e bebedores excessivos e&amp;nbsp;quase um milhão&amp;nbsp;de diabéticos. 30% das crianças têm excesso de peso. Por que isto não faz parte da agenda política? Por que se deixou que as coisas chegar a tal ponto? Alguém já fez contas aos custos económicos de tal? Caminha-se para que um em cada dois europeus tenha cancro. A poluição ambiental contribui de forma significativa para esta doença. Talvez quando a taxa chegar aos 100% se pense mais no assunto. A nossa leitora Ana Gusmão sonhou, um destes dias, que vivia num País de pobres e doentes (que exagero). Vem também, por nosso intermédio, agradecer&amp;nbsp;encarecidamente aos políticos que levaram o País à insolvência.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Última hora: o Primeiro-ministro enviou-nos um e-mail onde se mostra sensibilizado com a nossa prosa. Diz que vai mandar fotocopiá-la para oferecer aos seus queridos ministros.&amp;nbsp;Isto mostra que as nossas baboseiras não&amp;nbsp;tropeçaram em saco roto. Já desesperávamos.&amp;nbsp;Outra última hora: o Sr. Presidente da República escreveu-nos a dizer que todos os dias, antes de se deitar, lê algumas páginas do nosso texto.&amp;nbsp;Aqui não conseguimos impedir que a emoção&amp;nbsp;pejasse os nossos olhos&amp;nbsp;de lágrimas. Foi demais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para rematar, a minha mulher-a-dias, raciocinando em termos mais abstratos, defende que se o ser humano é incapaz de fazer um Planeta com qualidade de vida (apesar da ciência e da técnica) tal deve-se a uma deficiente qualidade da informação que usa, evidente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4508295288497764566-3947201155484648403?l=profkarmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4508295288497764566/posts/default/3947201155484648403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4508295288497764566/posts/default/3947201155484648403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profkarmo.blogspot.com/2008/08/crnica-1.html' title='PARTE  I  -  Apresentação'/><author><name>Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5YDrJM5iI/AAAAAAAAAAM/MytHW9FWRDo/s72-c/pic1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4508295288497764566.post-4136475759851487021</id><published>2008-08-31T18:01:00.413+01:00</published><updated>2012-01-16T18:23:33.490Z</updated><title type='text'>PARTE  II  -  Como enganar o parceiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;AVISO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esta crónica é chata e dolorosamente longa. Daremos uma indemnização aos leitores que conseguirem lê-la.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="213" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241740438912852370" src="http://4.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5nKEIzYZI/AAAAAAAAAA0/FkLPGLWbcr8/s400/pic1.jpg" style="float: left; height: 213px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 184px;" width="184" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;BIOGRAFIA DO PROF. KARMO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Este não é um sítio para promoção pessoal. Contudo, a pedido de várias famílias e para poderem aquilatar a pouca credibilidade do seu diretor e a sua má imagem de marca, aqui vai uma curta e singela biografia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O prof. Karmo é de baixa extração social, nasceu num bairro degradado (vulgo bairro da lata), da periferia de Lisboa, filho de um operário fabril e mãe doméstica. Apesar de ser um pensador de quinta categoria (um totó, sem consciência da sua incompetência nos assuntos que aborda), tem a mania de que é especialmente inteligente, mesmo um iluminado que está à frente do seu tempo, e padece de problemas de comunicabilidade: as suas tolices são como escrever na água, não consegue fazer passar a mensagem. Como se isto não bastasse, sofre de dupla personalidade: depois de defender uma causa, é capaz de pugnar o contrário com a mesma sinceridade alguns minutos depois. Impossível maior contorcionismo intelectual e pensamento contraditório. Também é um mentiroso compulsivo. &lt;br /&gt;Subiu na vida a pulso. Licenciou-se em Física Quântica pela Faculdade de Ciências Empresariais, tirou um curso por correspondência de ciência jurídica e outro de ciências ocultas. Ainda frequentou um curso noturno de socialismo científico, mas acabou por desistir. É um cartoonista falhado (looser), o que lhe causa alguns problemas de auto-estima. &lt;br /&gt;Modéstia à parte, o prof. Karmo considera-se um expert em comportamento animal (o ser humano é um animal) e em Teoria da Informação e do Conhecimento aplicada à soldadura oxídrica. Fez uma incursão na cultura regressiva, concretamente a numerologia, sobre a qual publicou um livro, verdadeiro grau zero da inteligência, que foi ostensivamente ignorado pela crítica. As ideias dominantes tendem asfixiar as outras, sem apelo nem agravo. É um estudioso da Demonologia (coisas do Diabo), sobre o que possui um diploma. &lt;br /&gt;Em suma, é pelo pensamento convencional. Acha que o canto do galo faz nascer o Sol e que se podem abordar questões complexas em termos do senso-comum: por exemplo, dizer que a pobreza é culpa dos próprios pobres (as pessoas têm o que merecem), ou que tudo o que se produz é criação de riqueza. Não gosta de abordar temas fraturantes, de ser inconveniente, pois não quer arranjar problemas ao expor demasido o pescoço. Também está na barricada daqueles que lutam contra o «Eixo do Mal», seja lá o que isso for. Politicamente situa-se rigorosamente ao centro, pois no meio está a virtude. Um dos seus passatempos preferidos é raciocinar com base em pressupostos falsos e discutir o sexo dos anjos horas a fio (conversa da treta).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como é do conhecimento geral, o saber científico tem determinadas particularidades. No entanto, por uma questão de prestígio e não só, costuma-se colá-lo impropriamente a outros saberes (apesar de soar a falso) e nada há que acabe com tal fatalidade, nem ninguém se rala com isso. É tão legítimo falar em «ciências da comunicação» como em «ciência futebolística». Também essa de haver «cientistas políticos» o faz sorrir: é&amp;nbsp;o álibi científico. O rigor intelectual não é para aqui chamado. Nem todo o conhecimento é ciência, para que se saiba. &lt;br /&gt;O prof. Karmo tem um sonho: escrever uma enciclopédia de Economia, em 20 volumes, quando se reformar aos 90 anos. Também não é um poço de virtudes, mas isso nada interessa para o caso. &lt;br /&gt;Atualmente está a escrever um livro polémico "A teoria económica como ideologia" e produz videojogos violentos para crianças, consciente de que é preciso formar no presente as gerações do futuro. Quanto mais bestas e predadores houver no Mundo, mais este será um lugar fácil para viver. A deliquência juvenil e a violência nas escolas deixam-no otimista. É por uma cultura da violência e acha que se deve brincar com o fogo. &lt;br /&gt;A sua atividade insere-se na chamada economia da informação e das ideias, ainda que pelos piores motivos. Considera-se um empreendedor intelectual, um engenheiro das almas, como dizia o camarada Estaline. Não importa o que se comunica, mas que se comunique, eis a sua divisa. A comunicação é um fim em si mesmo. Defende a superficialidade da informação,&amp;nbsp;género «encher chouriços» (comunicação pura, de entretenimento)), tendo em vista o vazio mental, que torna as pessoas mais vulneráveis, por exemplo, à publicidade do tipo "creme anticelulite com pró-vitaminas" e a outras coisas. &lt;br /&gt;Também é a favor do formalismo intelectual e cultural, das lógicas estreitas e nutre alguma simpatia pelo arbítrio intelectual, que não é tão raro como parece. É um estudioso da relação entre a realidade e a percepção que se tem desta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Como tem uma inteligência penetrante, o leitor ter-se-á interrogado como foi possível fazer um curso de Física das Partículas numa faculdade de Economia. A realidade é una. A Física tem que ver com a Economia, como mostra o exemplo a seguir. &lt;br /&gt;A Teoria da Relatividade demonstra que não há espaço e tempo absolutos. Suponhamos dois astronautas no espaço que se aproximam um do outro. Um dirá que está parado e é o colega que vem em sua direção. O outro afirmará o inverso. Ambos os raciocínios são verdadeiros. A realidade depende do ponto de vista do observador, é polissémica. Todos vêem o real, mas não da mesma maneira. &lt;br /&gt;A crença na objetividade absoluta é ingénua. O herói para uns pode ser o criminoso de guerra para outros. Os conquistadores espanhóis Cortés e Pizarro e o imperador Napoleão não foram os heróis das suas vítimas. &lt;br /&gt;É impossível uma visão única da realidade. A subjetividade constitui parte inevitável do conhecimento. Não existe racionalidade pura. &lt;br /&gt;Para a minha mulher-a-dias, a estupidez é quando não se vê ou não se quer enxergar o óbvio. Há coisas que pisam a mais elementar lógica, quando era apenas necessário um pouco de discernimento. Para ela, se o ser humano, apesar da ciência e da técnica, não consegue edificar uma sociedade sem pobreza e onde todos tenham qualidade de vida, isso quer dizer que tem um problema de software intelectual. &lt;br /&gt;Também, para resolver um problema há que compreendê-lo, perceber a sua natureza, e assim não dar respostas inadequadas. Por exemplo, não se trata uma constipação com antibióticos. Não se combate a toxicodependência criminalizando-a. Um viciado é um doente, não um caso de polícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentemos na questão da pobreza, aspeto primordial e incontornável, pois trata-se do acesso ou não das pessoas à qualidade de vida. Haverá quem diga que com a ciência e a técnica não há razão para essa úlcera existir, não é uma fatalidade que esteja escrita no céu. Constitui uma patologia social e é produto de um ordenamento humano ineficiente, disfuncional. Para além disso, representa um muro ao desenvolvimento e é fonte de chatices: por exemplo, dificulta o controlo das doenças contagiosas.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;A pobreza gera pobreza, fica cara, tal como a ignorância. Querer o desenvolvimento e manter a pobreza são objetivos contraditórios, óbvio. Existe uma relação entre a pobreza e o insucesso escolar: um círculo vicioso que tem de ser quebrado. Para a minha mulher-a-dias a pobreza é a escravatura dos tempos modernos. Um país onde as pessoas têm qualidade de vida é um país desenvolvido, o que é bom para a economia, mas muitos parecem não entender tal. Existe quem seja masoquista. Como se pode ver, ela sofre de «excesso» de lucidez, o que é prejudicial, segundo alguns. &lt;br /&gt;De 1995 a 2000, 47% das famílias em Portugal viveram em situação de pobreza em pelo menos um dos anos. A pobreza afeta sobretudo as crianças até aos 17 anos, os desempregados e os reformados (Bruto da Costa e equipa). Estes dados mostram que a pobreza atinge muitos portugueses. Se não fossem as prestações sociais&amp;nbsp;a maior parte&amp;nbsp;da população viveria na pobreza, arrisco a dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra pessoa, parafraseando o Apóstolo Paulo, defende, com uma plausibilidade superficial, que sempre haverá pobres, tal como o filósofo Aristóteles jurava a pés juntos não ser possível passar sem a escravatura. Assim a pobreza é socialmente aceitável, o Mundo não tem de ser para todos (para a minha mulher-a-dias este pensamento indecente representa o triunfo da mediocridade). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Há que ser realista, pragmático. As coisas são como são. A desigualdade no direito à vida faz parte da ordem das coisas. É imoral, uma pouca-vergonha, uma pessoa viver na rua, ao relento? Nem pensar. A existência de sem-abrigos não atenta contra os direitos humanos (o absurdo é possível). Deste modo fica aberta a porta à indiferença pela sorte alheia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A muralha da indiferença é uma ratoeira, que se volta contra o própria pessoa. Quando não há humanismo, alguém se trama. Isto não é um caso de somenos. Não se pode ter a sensibilidade embotada. Raciocinar corretamente? O que é isso? Não existe razão e inteligência sem humanismo. O pensamento meramente tecnocrático é incompetente, e isto em termos estritamente económicos. É imperioso ver o mundo com o coração, segundo a lamechas da minha mulher-a-dias. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Aquele que vive na pobreza ou sem qualidade de vida não é livre, está privado da cidadania, da sua humanidade e dignidade. Um conhecido meu, o Anacleto, que faz questão em ser ignorante e gosta de pensar pequenino, diz que é difícil fazer entrar (internalizar) isto na sua cabeça. &lt;br /&gt;Se um problema não é reconhecido como tal (tática muito usada), não será resolvido e há o risco de se agravar. Uma visão linear do real é aquela que sustenta que a realidade existente é a única possível, que não existe alternativa. Tal é uma ideia perigosa, como se compreende. &lt;br /&gt;O conceito de democracia política demorou a impor-se. Do mesmo modo o conceito de democracia económica é ignorado. Não se percebe a razão de tal cegueira intelectual. Aceitar a pobreza (para os outros) constitui uma violência simbólica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer uma ponte sobre um rio é necessário que os cálculos (complexos) estejam corretos e... que se tenha o objetivo de fazer a ponte. Se uma sociedade não se puser como finalidade acabar com a pobreza e fazer um mundo onde todos tenham qualidade de vida, tal não será alcançado. O princípio da finalidade não pode ser ignorado. O filósofo Séneca dizia que não há bom vento para quem não sabe o destino. &lt;br /&gt;O simples aumento do PIB, ou da competividade não bastam para erradicar a pobreza estrutural, como o prova o caso dos Estados Unidos. Trata-se de uma questão política e teórica óbvia, ignorada pela visão económica tradicional. &lt;br /&gt;O Nobel da Economia Amartya Sen (1988) demonstrou que habitualmente as fomes não se devem a uma ausência de alimentos, mas a uma organização social que priva alguns dos mesmos. Tirem-se daqui as devidas ilações. Há países que apesar de terem fome exportam alimentos. Existem nações que apesar de não terem recursos desenvolveram-se, caso do Japão, Suiça. Outras, apesar das riquezas naturais, não o conseguiram fazer, como o Zaire, Nigéria, Venezuela, etc. A pobreza é um produto social.&lt;br /&gt;O mercado é eficaz para satisfazer apenas as necessidades solváveis, onde há poder de compra. É isto que explica que uma miríade de produtos mais supérfulos coexista com necessidades básicas por satisfazer. Estamos perante uma ineficiente afetação de recursos, que já por si são escassos. A sobreprodução coexiste com o subconsumo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que mudar as categorias mentais, que condicionam o pensamento. Visões diferentes do mundo levam a modos diferentes de agir sobre a realidade. O modelo do cérebro humano é neste sentido o do computador. A leitura que cada um faz da realidade, depende do seu software intelectual: da sua cultura e saber, o que por vezes pode levar a distorções cognitivas. Sob o ponto de vista técnico trata-se de uma questão de sinapses cerebrais. A informação resulta do tratamento de sinais por uma estrutura de conhecimento (saberes, crenças, valores). Com baixa escolaridade e ignorância não é possível o desenvolvimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe quem não queira dar-se ao trabalho de pensar. Dizem que só se estivermos interessados é que compreendemos uma coisa. Não há desenvolvimento sem cultura adequada (competências culturais). Muitos economistas não entendem isto. Não é possível a quadratura do círculo. Como se frisou, se se aceitar a pobreza ela jamais desaparecerá, por muito que a ciência e a técnica avancem. A pobreza, tal como a escravatura, não perecerá por si (foi difícil conseguir acabar com esta última). Nos EUA o esclavagismo foi abolido após uma guerra civil no séc. XIX, que custou centenas de milhares de mortos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento anda a par com a evolução cultural. O subdesenvolvimento cultural leva a uma menor qualidade de vida. A questão das mentalidades é importante, faz parte do capital intelectual. &lt;br /&gt;Para o meu filho João, que é homossexual (tudo indica que isto tem uma base genética), o facto de Portugal estar, de uma forma persistente, na cauda da Europa quanto ao desenvolvimento deve-se a fatores culturais: baixa escolaridade, cultura de honestidade insuficientemente extendida, individualismo, alcoolismo, etc. A realidade cultural portuguesa pode impedir o desenvolvimento. Não é possível querer algo sem as condições das quais depende. Tem de se compreender a complexidade. Não há maneira de fugir a isto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Deixemo-nos de tretas. A qualidade de vida (bem-estar físico e psíquico) é a medida da civilização e o resto é conversa. Também a parafernália técnica só por si não leva ao desenvolvimento, representa uma miragem (mito tecnológico). Uma grande expansão da ciência, do aparato técnico e da produtividade pode coexistir com bastante pobreza e miséria, como se disse. Os Estados Unidos são o país com maior número de registo de patentes e prémios Nobel. Um conhecido meu ficou impressionado com a pobreza que viu quando lá foi. Isto devia calar alguns economistas que andam sempre com o credo da eficiência na boca. Que é isso de mercados eficientes? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nobel de Economia Paul Krugman e outros chamaram a atenção para o facto espantoso de, nos EUA, o aumento do PIB desde os finais dos anos 70 ter ido parar à parte mais rica da população. O rendimento das classes médias e baixas estagnou ou regrediu. Isto pode ser extrapolado para os outros países ricos. Durante anos, comentadores económicos, e não só, entreteram o povo com o aumento do PIB, apesar de isso na verdade ter um significado relativo. Tal facto não parece incomodar muitos entusiastas do mercado e do aumento incondicional do PIB. Mesmo que o PIB aumente nos países desenvolvidos, provavelmente o rendimento das classes média e baixa não mais vai subir. Aceitam-se apostas. A teoria económica diz que para haver criação de emprego o PIB tem de aumentar 1,5/2% por ano. Algo aqui não bate certo, devido aos limites ecológicos.&lt;br /&gt;Os Estados Unidos são um país rico que apresenta características das nações subdesenvolvidas: grande pobreza e criminalidade associada. A sua taxa de homicídios é várias vezes superior à europeia. As armas de fogo eram ou são a principal causa de morte dos adolescentes. A criminalidade, muitas vezes explosiva, de países como os EUA e outros não se resolve com mais polícia, mas eliminando as condições sociais que levam a ela. Uma sociedade que aceita a exclusão social arrisca-se a brincar com o fogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura e os direitos humanos são um fator de produção. Há que ter visão estratégica (como agora é moda dizer) e não horizontes estreitos. O capital humano (saber tecnocientífico e cultural) é condição do progresso. Mais, desafio qualquer um a provar que os direitos humanos não são permissa do desenvolvimento. Ideias erradas representam uma prisão. &lt;br /&gt;Não se deve perder a noção da realidade, do que é substantivo, importante. A atual teoria económica dominante é essencialmente técnica. Pouca importância dá aos fatores culturais e mesmo políticos no desenvolvimento económico. Para ela a democracia quase que é irrelevante e não existe evolução histórica (problema de cultura geral?). Julga ingenuamente que a economia de mercado é o fim da história. Tende apenas a enfatizar o espírito empreendedor. E isto tem consequências. Mais, a pretexto de razões técnicas pode-se tentar impedir mudanças sociais, por exemplo, dizer que as exigências ambientais prejudicam a competividade. Igualmente não se pode aceitar essa dos «salários competitivos» (de miséria) do Mundo globalizado. Também os opositores ao projeto do sistema de saúde universal do presidente Obama dos EUA diziam que era despesista. Os exemplos são inúmeros. Mente aberta? O que é isso? &lt;br /&gt;Um aparte, não basta ganhar eleições para se fazer o que se pretende. Nos EUA, vários presidentes tentaram em vão implantar um serviço universal de saúde. Por vezes o poder não está onde se pensa, mas nos interesses instalados, nas lógicas subterrâneas. A democracia pode estar atada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem direitos humanos não há desenvolvimento. Não é possível coexistirem objetivos contraditórios. A minha mulher-a-dias costuma dizer que não nos podemos dar ao luxo de olhar para os direitos humanos (uma conquista do espírito humano) como um boi, para um palácio e que é melhor estar no lado certo da história. Um economista inteligente compreenderá a importância económica dos direitos humanos. Sem direitos humanos a economia só pode dar mau resultado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor também terá reparado que o conceito de Ciência Económica indicia, ainda que subtilmente, que não há políticas económicas, mas sim apenas uma, a autêntica, que deriva de uma dita «ciência» económica. A política tende a reduzir-se a uma decisão tecnocrática, «científica», como se fosse possível desligar as medidas económicas de objetivos políticos. Este paradigma dominante, deve ser desmontado e posto de parte. Não se podem engolir crendices. Estamos perante uma estrutura cognitiva disfuncional. Na nossa imodesta opinião, tal inquina a teoria económica, que ganha um cunho mecanicista, vê o crescimento como algo só devido a fatores endógenos e esquece a palavra desenvolvimento. &lt;br /&gt;Dizem que o pensamento dogmático, cristalizado, que se barrica nas suas «verdades», é inimigo do criativo. Por vezes, pensa-se que se sabe algo, ou que se tem a solução para um problema quando efetivamente tal não sucede. Há quem mitigue o mundo à sua verdade. Uma achega, na Medicina foi longa e dura a luta para impor critérios fiáveis na validação do saber e descartar o critério da autoridade. &lt;br /&gt;A economia real não pode ser um sistema fechado, mas aberto. Um sistema fechado gera entropia, tende a degradar-se. Não se pode ser mudo quanto à ordem social. É por isso que existe o termo economia-política: há "preferências socialmente orientadas." &lt;br /&gt;Curiosa esta visão constrangida da economia, que aparenta uma limitada capacidade cognitiva e preguiça mental. Existe quem se engane a si próprio. Parece evidente uma teimosia em ver só a árvore e não a floresta. Há quem insista no erro e vire as costas à realidade. Estranho este condicionamento psíquico. Krugman diz que a Economia tem tido dificuldade em integrar nos seus modelos "as instituições, normas e poder político." Não se podem explicar fenómenos complexos de uma maneira simplista. &lt;br /&gt;Einstein defendia que a teoria determina o que se vai ver, pode originar assim uma certa cegueira intelectual se não houver plasticidade mental, acrescentamos nós. Para o economista Jeffrey Sachs aspetos básicos da realidade económica podem passar despercebidos a economistas académicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém disse que a guerra é demasiado importante, para serem os generais a decidir da paz e da guerra (questão política). Também a economia não é essencialmente um problema técnico. A política não é administração. Não se pode raciocinar segundo padrões limitados. Como disse alguém, não se deve pedir à economia aquilo que ela por si só não permite dar. O desenvolvimento não brota espontaneamente da atividade económica. A pretensão totalizante da economia é ingénua. &lt;br /&gt;Uma perspetiva meramente economicista da economia não consegue altos voos. Tem de se atender ao aspeto qualitativo do PIB, se este se faz à custa de danos ambientais, se existiu distribuição da riqueza, etc. A partir de certo ponto, "o acréscimo marginal de bem-estar propiciado pelo PIB é nulo, ou mesmo negativo", insiste-se. Mais nem sempre é melhor. Estamos perante um paradigma quantitativo que tem de ser mudado. A quantidade tem de ser vista sob o prisma da qualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre as melhores ideias triunfam. Vá lá saber-se porquê. Existem aquelas que são infecundas. Se o leitor pensa que a verdade é um valor em si, desiluda-se. &lt;br /&gt;Não se pode ser acrítico. Que acontece se raciocinarmos na base de pressupostos falsos? Uma visão tecnocrática reduz o desenvolvimento, a prosperidade e a qualidade de vida ao PIB (pensamento pouco subtil). Este absurdo e também gravíssima falha teórica, do domínio do óbvio,&amp;nbsp;anda na cabeça de muitos brilhantes economistas. Tal significa que aspetos importantes da qualidade de vida são pura e simplesmente ignorados, já para não falar no facto de o PIB medir apenas a produção mercantilizável. "Há mais vida para além do PIB". Não se trata de algo que exija um alto grau de abstração mental. Repetimos, o cérebro humano tem a obrigação de não cometer erros grosseiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bem-estar não se reduz aos objetos de consumo e devia haver um maior peso relativo do setor dos serviços. Curiosa a seleção de problemas feita por muitos teóricos. Existe aqui uma falta de discernimento, de acuidade intelectual, mesmo autismo. Prefere-se a ilusão da realidade à própria realidade. A sociedade da informação não deve fazer esquecer uma sociedade sem pobreza, por exemplo. Mesmo o «Índice de Desenvolvimento Humano» da ONU, que já engloba a questão da saúde e da educação, deixa de fora aspetos importantes do bem-estar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualidade e quantidade não são a mesma coisa. Não se pode misturar alhos com bugalhos. O nível de vida não é o mesmo que a qualidade de vida. A economia deve estar ao seviço do ser humano e não o contrário. Deve-se trabalhar para viver e não viver para trabalhar, contrariamente ao que&amp;nbsp;parecem pensar alguns economistas. No Japão existe a morte súbita por excesso de trabalho (karoshi) e uma taxa elevada de suicídios. A economia e a «racionalidade» económica não fazem sentido se não produzirem qualidade de vida, elementar. Não se pode fabricar PIB à custa do bem-estar das pessoas. &lt;br /&gt;A investigação sociológica mostra que a satisfação com a existência está ligada, para além de um certo nível de satisfação das necessidades básicas (comer, por exemplo), ao controlo que uma pessoa tem sobre a sua vida e ao lazer. Este aspeto importantíssimo é ignorado pelos teóricos económicos, que parecem ser cegos, surdos e mudos (miopia intelectual). Muitos economistas parecem achar que aquilo que não pode ser traduzido em números não existe (a qualidade de vida é um bem intangível). Há quem não goste de subtilezas analíticas. Neste sentido a atual «ciência» económica dominante é um saber «light», ineficiente, que não coincide com a realidade. Tanto pior para esta, parecem considerar alguns teóricos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insiste-se, a produção de riqueza não faz sentido se não se traduzir em qualidade de vida, representa um desperdício. Profundidade do conhecimento? O que é isso? Muitos teóricos também não querem saber das condições laborais (aspeto importante da qualidade de vida), como se o económico fosse uma coisa divorciada do ser humano (racionalidade limitada). A realidade é multiforme. Persistir nas velhas ideias ou na falsa «ciência» tem custos. Arrisco a dizer que mesmo os chamados economistas clássicos foram cegos quanto à exploração horrível (nova escravatura) a que foram submetidos os trabalhadores na Revolução Industrial dos séc. XVIII e XIX. Já nessa altura havia uma visão asséptica da economia. Capitalismo selvagem ou exploração do ser humano por outro? Isso não existe. Muitos economistas vivem em estado de negação. Não dá para entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aumento do PIB pode esconder uma degradação da qualidade de vida de grande parte, ou da maior parte da população, torna-se um sucedâneo. Isto é o que está a acontecer em muitos países. Defender mais do mesmo revela um pensamento não dialético, falha relevante em qualquer atividade humana. &lt;br /&gt;A minha mulher-a-dias alerta para os perigos de uma obsessão pelo aumento do PIB a todo custo (alienação produtivista), que pode ter efeitos perversos. Defende acirradamente que a política económica deve concentrar-se mais nos conteúdos (fim da pobreza, qualidade de vida) e não nos processos (concorrência, competividade, etc.). O meio não é o fim. Se isso acontecer estamos perante um grave erro. Aquilo que é válido a um determinado nível, não é válido a um nível mais agregado, global: por exemplo, a competividade só por si não leva a um fim positivo. Uma pretensa eficiência microeconómica pode levar a uma ineficiência a nível agregado, de que é exemplo a atual não sustentabilidade ambiental. O todo não é a soma das partes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nobel Samuelson refere que o crescimento pelo crescimento é o das células cancerígenas. Não existe sustentabilidade económica sem a ambiental. A médio prazo o atual consumo de recursos naturais e os impactos sobre o ambiente não são sustentáveis. O regabofe vai acabar. "Os torpedos vêm a caminho". Este desiquilíbrio macroeconómico e a sua tragédia anunciada, que é tão só um outro exemplo de comportamento autodestrutivo, não entra nos cáculos de muitos economistas, que parecem não querer saber o que são os limites ecológicos. Isto quer dizer que muita da riqueza produzida é fictícia, predatória. Trata-se de um caso simples de objetividade e rigor intelectual. A bem ou a mal o aumento do PIB vai parar.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode ter uma visão de futuro limitada, perder de vista os objetivos. Persistir apenas nos fins instrumentais (postura tecnocrática e de pretensa imparcialidade científica) conduz a resultados ineficientes, não leva ao fim da pobreza e ao desenvolvimento e não se justifica em termos estritamente económicos. &lt;br /&gt;Para a minha mulher-a-dias, uma postura tecnocrática pode esconder uma indiferença pelo ser humano e pergunta se existe aqui um grande (complexo) problema de honestidade intelectual. Há razões que a razão desconhece, repete-se. Por que não organizar a economia sobre outros indicadores que não o PIB? Este índice já não pode ser a única medida operacional da riqueza e da qualidade de vida, mas muitos não querem ouvir falar nisso, recusam-se a ir ao fundo do problema, preferem passar ao lado. &lt;br /&gt;Eu há vezes pasmo como é possível a persistência de uma visão unívoca e reducionista da economia, entre eminentes economistas. A teoria tem de estar calibrada pela realidade. "Que mania a de escamotear-se a complexidade das situações, quando um saber fragmentado é não-operacional, ineficiente." desabafou preplexa&amp;nbsp;a minha mulher-a-dias. Ela está a lixar-se para&amp;nbsp;a verdade oficial da "ciência" económica dominante, que devia ser enterrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há economia pura. O problema das taxas de juro é uma questão política e não meramente técnica, por exemplo. A política monetária expansionista (baixas taxas de juro), desde os anos 80, do FED dos EUA, representa uma questão política, que teve consequências. "O que produzir, como e para quem" (Samuelson) é em última instância um problema político: por exemplo, é difícil arranjar medicamentos para doenças raras ou dos países pobres, pois não dão lucro. Segundo Robert Reich, até 2008, 10% dos americanos (os mais ricios)&amp;nbsp;eram responsáveis por 40% do consumo.&amp;nbsp;Não ligar ao que se produz é um pouco como abrir buracos para depois os tapar, tem uma eficiência limitada, leva à má afetação dos recursos. &lt;br /&gt;Muitos economistas consideram a produção como algo neutro, fruto da vontade do mercado e que apenas compete ao Estado criar as condições favoráveis aos negócios (papel supletivo). Oxalá as coisas fossem assim tão simples. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O ignorante do meu&amp;nbsp;vizinho Matias defende que a economia de mercado é eficiente e como prova disso temos o facto de ela ter acabado com a pobreza nos Estados Unidos, Brasil, Portugal e muitos outros. Com tal argumento ele espera desarmar intelectualmente os críticos do mercado. Isto é um exemplo de que muitas vezes se argumenta com dados pouco rigorosos ou mesmo não verdadeiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É elementar que os saberes, as técnicas, a competência não são neutros, não valem por si, sem objetivos definidos. No entanto a ideia contrária está bastante difundida. A negação do princípio da finalidade leva a um&amp;nbsp; desperdício de recursos. A qualidade da informação não é uma coisa que exista independentemente dos objetivos. Alguém defendeu que para se avaliar se uma pessoa é competente tem de se saber o instrumento que toca. Sociedades diferentes valorizam competências não iguais. A meritocracia não é neutra, tem muito que se lhe diga. Um publicitário, por questões de consciência, pode não ter «mérito» para induzir nas pessoas consumos nocivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saber tem de questionar sempre a sua validade, de reinventar-se. A ciência e a técnica são usadas de uma forma positiva ou negativa, tanto potenciam os benefícios como o contrário, constituem um pau de dois gumes. Na 2ª Guerra Mundial (1939-45) as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáki (alvos civis) são arrasadas por 2 bombas nucleares, que mataram centenas de milhares de pessoas. Muitos perecerão lentamente num sofrimento atroz. O cientista Fritz Haber descobriu uma maneira barata de obter amoníaco para os fertilizantes. Ao mesmo tempo&amp;nbsp;criou o gás cianídrico usado como arma nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial e nos campos de extermínio nazis. As escolhas tecnológicas são políticas. A inovação pela inovação não faz sentido. &lt;br /&gt;Na ex-União Soviética (anos 60 e 70) a psiquiatria era usada para «tratar da saúde» aos dissidentes. A organização «científica» do trabalho (taylorismo) pode levar a cadências de produção desumanas. Em 2008/9, a política laboral da France Telecom levou ao suicídio dezenas de trabalhadores, como já se disse. Estas mortes foram só a ponta da montanha. &lt;br /&gt;A ciência e a técnica ao levar à explosão demográfica (que não está controlada) originou, paradoxalmente, que nunca na Terra se morresse tanto de fome como hoje, isto por incapacidade cultural do ser humano. Repete-se, hoje em dia a maior parte dos seres humanos vive na pobreza. Nunca na História houve tantos indigentes e a atual maravilhosa globalização não vai ajudar que tal se resolva, muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ciências sociais, incluindo a Economia, estudam pessoas e não objetos. Têm de dar atenção aos propósitos humanos. Não faz sentido uma formalização económica fechada sobre si mesma, independente das finalidades humanas. Uma economia só é eficiente se conduzir à qualidade de vida, óbvio. A minha mulher-a-dias não sabe se isto se ensina nas faculdades. &lt;br /&gt;Muitas vezes o raciocínio formalista leva a melhor. A lógica formal mata a lógica do real. Durante anos (1995/2003) o Banco de Inglaterra usou modelos de previsão da evolução da taxa de câmbio da libra que levaram sempre a previsões erradas. Só uma estranha fé pode explicar tal persistência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O Nobel da Economia Galbraith defendia que o que importa na ciência económica são as pessoas e não a teoria. A teoria económica e a economia real não são auto-referentes, não se podem bastar a si próprias. A qualidade de vida é o único critério da sua validação. Há quem não queira saber disto. Não existe racionalidade económica se não se atender ao aspeto humano. A economia só por si é cega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da humanidade é em grande parte um rosário de violência e sofrimento. Pode-se fazer de uma pessoa o que se queira? O ser humano tem um lado negro, irracional, é incapaz de domar os seus demónios. No passado, muitas vezes, a economia e o drama da violência andaram de mãos dadas. A história tem sido atribulada, não muito edificante (selva humana). A desrazão parece comandar. Há quem pense que o ser humano é naturalmente um predador, sem balizas morais, capaz de crueldade infinita. A minha mulher-a-dias acha que o ser humano tem dentro de si um animal selvagem e pergunta-se frequentemente se a inteligência&amp;nbsp;lhe&amp;nbsp;terá&amp;nbsp;valido de muito, não compreende esta disfunção. &lt;br /&gt;A Europa cristã exterminou grande parte dos naturais do continente americano (os «selvagens») e desenvolveu o tráfico de escravos a uma grande escala (comércio triangular). Um índio brasileiro disse que para ele a cruz do homem branco é a cruz do extermínio. A escravatura também floresceu no mundo muçulmano. Tal coloca a questão da relação entre ética e religião. O bispo Tutu perguntava-se por que Bíblia liam os racistas sul-africanos do apartheid. Uns subordinam aos seus interesses os outros, que são encarados apenas sob o ponto de vista económico e não como pessoas (visão instrumental do ser humano). &lt;br /&gt;Isto da economia, da produção de riqueza e da «ciência» económica tem muito que se lhe diga, não é tão idílico como se pretende. A produção de óleo de palma à custa da destruição da floresta tropical representa um desastre. Até que ponto a produção e comercialização de armas é criação de riqueza? Sejamos rigorosos, a economia é antes de mais um ato cultural e não algo de racional, científico e neutro, como pretendem alguns teóricos. Já Keynes dizia que a Economia era um ciência moral. &lt;br /&gt;Os atos económicos inserem-se sempre num contexto social e político. A economia pode ser estúpida. Uma pessoa não é uma coisa. A escravatura mostra que as regras do jogo económico representam uma questão política. O esclavagismo é o paradigma de uma economia em que não existe consideração pelo ser humano, em que este se encontra ao serviço da produção e não o contrário. Aqui a qualidade das relações humanas não existe. Há uma lógica económica invertida e uma criação de riqueza perversa, indecente, onde não se olha ao preço humano. O sofrimento económico existe. Hoje em dia, segundo a UNICEF largos milhões de pessoas são vítimas do trabalho forçado ou escravo (incluindo crianças). &lt;br /&gt;Há quem defenda que em economia não se trata de opções morais, mas de leis económicas incontornáveis, que pairam acima do bem e do mal. Assim a abolição da escravatura pela Inglaterra, em 1833, foi possível devido ao facto de o açúcar feito por mão-de-obra livre no Oriente ficar mais barato do que o produzido por escravos negros na América. &lt;br /&gt;A aceitação da escravatura e da pobreza representa uma cultura primitiva, que tem consequências a nível da qualidade de vida das pessoas. A pobreza mata por dia várias dezenas de milhares de pessoas (FAO, UNICEF). Grande parte são crianças. Este matadouro, de que pouco se fala,&amp;nbsp;não impede o leitor e eu de dormirmos descansados. Esta não é a "Terra do leite e do mel". Para a minha mulher-a-dias este genocídio é um crime contra a humanidade, apesar de ser legal. Para ela estas pessoas não deviam morrer. Patamares superiores de civilização? O que é isso? Há que pôr fim ao darwinismo social. A escravatura durou séculos, oxalá não aconteça o mesmo com a pobreza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anacleto atrás citado também não consegue fazer entrar na sua cabeça a mudança (trade off) de um paradigma económico, em que o ser humano está ao serviço da economia, para outro em que esta está ao serviço da pessoa, no seu centro, não consegue dar este salto conceptual (incapacidade intelectiva), nem quer ouvir falar nisso. Para ele a economia beneficia naturalmente o ser humano, não vê necessidade de se recentrar a atividade produtiva e acha que a economia de mercado trará amanhãs que cantam. Existe quem pense que este recentramento evitaria muito desperdício económico e que estamos perante uma questão teórica fundamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ex-ditaduras comunistas do Leste Europeu havia um saber económico ligado à planificação. No Ocidente, o saber económico era substancialmente diferente. Também o capitalismo americano é diferente do sueco. Não é correto falar numa ciência económica universal, mas de diferentes saberes económicos ligados a diferentes modelos e finalidades sociais (esta é a natureza do conhecimento económico e base da boa teoria). Estamos em presença de uma falta de acerto conceptual e analítico, de um erro cognitivo magistral, não inocente, que mistura alhos com bugalhos. Tal não tem só consequências epistemológicas, se me é permitido falar caro. Há que pensar com rigor, não cometer erros de lógica e assim aguçar o engenho. Sociedades diferentes têm regras e leis económicas não iguais. Basta abrir os livros de História para verificar tal. O saber económico não é uma Química ou uma Física, mas uma ciência humana, o que tem implícito objetivos. A Economia normativa (o que deve ser) é algo essencialmente político. A ciência não é uma questão de opinião, ou mesmo de consenso, mas de verificação. &lt;br /&gt;A ideia de uma ciência económica única não representa um conceito objetivo, mas um ideologismo. Isto é uma evidência. Não é preciso ser economista para ver tal. A verdade estabelecida não é necessariamente a verdade, ou alguém duvida disso? Certezas que temos por adquiridas, absolutas, são historicamente relativas, transitórias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda esta problemática remete-nos para a questão levantada pelo filósofo Wittgenstein (1889-1951) sobre a relação entre o discurso linguístico e a realidade. Ver não é compreender. Nem tudo o que parece é. A superfície do mar não deixa ver o que está por baixo. Grande parte da realidade é subterrânea, existe uma opacidade (padrões ocultos). O filósofo Platão defendia que vivemos num mundo de aparências. Um dia sonhei que se tinham inventado uns óculos que permitiriam ver para além das ilusões. &lt;br /&gt;Dizem que a verdade é complicada e exigente, apesar de haver quem não ache tal e prefira o realismo ingénuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arbítrio intelectual tende a reinar, há lógicas defeituosas. O discurso que fazemos sobre a realidade pode não ser verdadeiro, mas contrafactual, um simulacro, e ter um efeito de ocultação. Existe quem conviva mal com a verdade. Muita informação não é limpa e transparente (cultura da simulação). Isso acontece de uma forma intencional ou não, pois nem todos somos inocentes e as palavras também não. Estas tanto revelam como escondem. A ex-República Democrática Alemã (comunista) não era democrática. O conceito de «economia de mercado» esconde o facto de o mercado ser apenas uma parte da economia. Não se pode mercantilizar tudo. Por exemplo, se as pessoas tivessem de pagar os cuidados de saúde, muitos não teriam acesso a eles, o que seria não-económico. Pessoas saudáveis são mais produtivas. A saúde tem de ser considerada um investimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe informação neutra. Muitas vezes há uma luta pelo controlo da percepção da realidade. Um exemplo, o governo português deu o valor de 43,3% para a produção de energia renovável em 2007. O verdadeiro valor é 27,8%. &lt;br /&gt;Frequentemente usa-se a tática do fogo-de-artifício, veiculam-se aparências (sinais errados) para alienar as pessoas, tendo em vista interesses egoístas, tantas vezes inconfessáveis. Houve empresários «patriotas» que aquando das privatizações do pós-25 de Abril defenderam que estas deviam ficar em mãos nacionais, como forma de salvar o interesse nacional. Assim que se viram com as ações nas mãos, venderam-nas a estrangeiros, realizando mais-valias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O economista Schumpeter (1883-50) disse que a informação seletiva é uma maneira de mentir, dizendo a verdade (batota intelectual). &lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SMKNBmcqHZI/AAAAAAAAAKk/IiXlTOOc2qo/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="337" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242907974852812178" src="http://1.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SMKNBmcqHZI/AAAAAAAAAKk/IiXlTOOc2qo/s400/1.jpg" style="float: right; height: 337px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 250px;" width="250" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; Como diz o ditado, com a verdade me enganas. Tal como não existe razão sem emoção, também os interesses são um factor poderoso no processo cognitivo, levando à cegueira e rejeição intelectuais e a tornear questões incómodas, mesmo perante o que é evidente, apesar de os factos serem teimosos. Falando caro, os interesses constituem um poderoso obstáculo epistemológico. Por exemplo, nos debates sobre a globalização e a competividade não se aborda a questão dos direitos humanos: é uma não-realidade. Há aqui uma falha moral e teórica gravíssima. Como disse um economista, uma pessoa quando compra um produto da economia globalizada não pensa&amp;nbsp;como foi feito. Krugman fala nas condições horríveis das fábricas de t-shirts e ténis. Nenhum pai deseja para os seus filhos futuro semelhante. O glamour de muitas marcas tem atrás uma realidade negra e uma gravíssima cegueira moral. Esta irracionalidade e quebra de lógica tem consequências, de que muitos não se dão conta. Uma economia em que vale tirar olhos&amp;nbsp;é um muito mau&amp;nbsp;caminho. O Nobel da Economia James Buchanan dizia em 2008: "Ideais? O bem-comum? Não creio que essas coisas sejam relevantes. Não saberia lidar com esse género de conceitos". Economia e capitalismo de rosto humano? O que é isso? acrecentamos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a minha mulher-a-dias a economia não é amoral e a atual arquitetura económica do Planeta, com o seu dumping social e ambiental,&amp;nbsp;está a minar o Estado Social dos países desenvolvidos. A má economia afasta a boa. Perspectiva-se a falência da Segurança Social dos ditos. Em Portugal quem se reformar a partir de 2015 vai levar com uma redução da pensão entre 50% e 60%. Parece desenhar-se um recuo civilizacional, o que já não seria a primeira vez na história. É o futuro em marcha-atrás. «Viver com dignidade» parece ser algo estranho à atual «ciência» económica dominante.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pássaro, que um dia pousou na minha janela, disse-me que os inquisidores do caso Galileu, ao olhar Júpiter pela luneta, foram incapazes de ver as suas luas, de tal maneira isso ia contra as suas convicções.&amp;nbsp;Isto é um exemplo de um saber apriorístico que recusa confrontar-se com a realidade. A emoção, os interesses, a cultura funcionam como chaves cognitivas. Delas depende a profundidade do conhecimento e a qualidade do pensamento. &lt;br /&gt;Uma pessoa deve saber desmontar aquilo que lhe tentam impingir. Há situações em que não se sabe onde acaba a verdade e começa o falso: um verdadeiro jogo de espelhos, de máscaras. &lt;br /&gt;Muitas vezes a informação anda a par com a desinformação, com a mentira deliberada (já ouviu falar nos spin doctors?), manipula-se a ignorância, lança-se a dúvida. Durante anos as tabaqueiras puseram em causa os estudos que demonstravam o perigo de fumar. A saúde das pessoas vinha depois do lucro. Também as empresas que produziam as substâncias causadoras do buraco do ozono puseram em causa os cientistas. É grande a tentação de enterrar a verdade. Existem estudos «científicos» contaminados por interesses empresariais. Chama-se a isto corrupção da informação (lixo comunicacional). Há casos de investigadores ameaçados de processos em tribunal, pelos laboratórios, caso divulgassem os efeitos adversos dos medicamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, a linguagem pode levar a uma distorção cognitiva. Tal é, por exemplo, o objetivo da propaganda, em que não há lugar para o debate racional. Existe quem tenha o poder de impor signos (por exemplo, palavras) e significados, que «aprisionam» o pensamento. Trata-se da questão do domínio do simbólico, da produção de sentido, de semiótica, segundo a minha mulher-a-dias. Um exemplo, a genética mostra que não há «corpo perfeito». As diferenças físicas são condição da sobrevivência e evolução das espécies. O veicular-se um padrão de beleza nas sociedades modernas (por exemplo, através da publicidade) aliena as pessoas: grande parte não gosta do seu corpo (violência simbólica). O conceito de beleza tende a incorporar elementos de raça e classe social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz o provérbio, quem não sabe é como quem não vê e quem sabe muitas vezes só foca o aspeto da realidade que lhe interessa, tomando a fatia pelo todo. Trata-se de um caso de informação assimétrica, muito usada para enganar o parceiro, de teatro para fazer trapaça, isto falando prosaicamente. O leitor talvez não saiba o que o futuro reserva, o que se está jogando. A coisa pia fino. Mas quem sou eu para afirmar tal? &lt;br /&gt;A Teoria do Conhecimento mostra que não há maior cego do que aquele que não quer ver. Como alguém disse, há uma luta entre a aparência, por um lado, e a verdade e a objetividade, por outro. A questão da ignorância e da honestidade intelectual é mais complicada do que parece. Quem possui a informação tem poder. O saber é tão importante como a ignorância ou uma insuficiente compreensão da realidade. Para ser mais rigoroso, muitas vezes a verdade é um pormenor secundário, ou mesmo sem interesse. É por isso que existe quem goste de ajudar à confusão, à cacofonia (saturação informativa). Num galinheiro todos falam e ninguém se entende. Como quem não quer a coisa, usa-se o velho e estafado método das falsas lógicas, das falácias, dos raciocínios aparentemente verdadeiros. O cidadão não deverá saber em que acreditar. Um tio meu, já falecido, costumava defender que a verdade é uma questão ideológica, pois anda ao sabor das conveniências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém disse que fazer a guerra é como abrir a porta de um quarto escuro. A invasão do Iraque em 2003 fez-se através de uma mentira: a existência de armas de destruição maciça. Dezenas de milhares de iraquianos morrerão. Antes, na década de 1960, o falso incidente armado do Golfo de Tonquin serviu para abrir as portas à guerra do Vietname. Por vezes a verdade por o ser é ignorada. &lt;br /&gt;Um magnata da imprensa americano defendia que a verdade não devia impedir uma boa estória. Fala quem sabe. É o triunfo da verosimilhança. É isto que permite a informação-espetáculo (algazarra mediática) ou a informação enganosa. Muitos documentários «científicos» sobre animais apresentam estes com sentimentos que são especificamente humanos. Chega-se ao cúmulo de falar em neurobiologia das plantas. Durante vários anos, até 2006, a imprensa britânica entreteve-se a escrever sobre a relação entre a vacina tripla (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) e o autismo. Isto apesar de existirem estudos controlados&amp;nbsp;que demonstravam a falsidade dessa relação. A idiotice por vezes comanda. &lt;br /&gt;Chega-se ao cúmulo de a verdade ser descartada se não possuir verosimelhança. Um exemplo, dizer que a economia de mercado é ineficiente carece de verosimelhança, vai contra o mito, pois é suposto ser o contrário, apesar de nos Estados Unidos (um «case study») 20% das crianças viverem na pobreza e existir uma epidemia de centenas e centenas de milhares de sem-abrigo (é isto o sonho americano e paraíso da economia de mercado?"). A economia não funciona para todos, repete-se. A minha mulher-a-dias acha que a história económica deste país é um verdadeiro laboratório. &lt;br /&gt;Assim descartámos abordar alguns factos controversos. O leitor não iria acreditar e perdíamos toda a credibilidade. Já agora, o modelo económico e social americano não produz demasiada exclusão social? Como se costuma dizer, não estará esgotado? A qualidade de vida não deverá ser o critério de avaliação de um sistema económico-social? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ignorância funcional é quando se «esquecem» factos relevantes ou óbvios. Não se pode produzir teoria económica ignorando, por exemplo, os 20% de crianças na pobreza nos EUA, ou será que a questão não é pertinente? &lt;br /&gt;Um vizinho meu defende que a economia de mercado assenta na ciência económica. Assim acha que a alternativa entre o liberalismo económico e a social-democracia (Estado Social) é uma falsa questão. Também considera que o conceito de economia de mercado não é um eufemismo de liberalismo económico. &lt;br /&gt;A soma erudita de dados tem pouco valor. O saber tem uma dimensão quantitativa e qualitativa. Não é cumulativo, mas descontínuo. Frequentemente os saberes são conflituantes. A emergência de uns tende a ter como corolário a saída de cena de outros. As rupturas intelectuais acontecem (cortes epistemológicos). Hoje em dia predomina uma visão nivelada, positivista (quantitativa) da informação, tipo supermercado, que considera que tudo é relativo, onde se justifica tudo e o seu contrário, mesmo estando por vezes em contradição com os factos, o que não é raro. Isto tem implicações. Saber para quê? Há saberes e saberes. Nem todos se equivalem e existem aqueles que são estruturantes. O criacionismo, a homeopatia, etc. não são o mesmo que o Evolucionismo, a Matemática, por exemplo. Nem tudo o que vem à rede é peixe. Existe informação e práticas que são ineficientes, tendo em vista a qualidade de vida. Representam uma imensa afetação de recursos que é desperdiçada. É como apontar ao lado do alvo. Nós próprios questionamos a utilidade das nossas palermices. A qualidade da informação (tecno-científica e cultural) é crucial. O sistema educativo deve refletir isso e ter uma componente humanística (os direitos humanos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parafraseando um lugar-comum, há que investir na inteligência. O futuro passa por aqui. O desenvolvimento resume-se à qualidade da informação e às práticas a ela correspondentes (uma questão de teoria da informação). O ser humano deve ser antes demais um processador de informação, para não dar passos em falso: compreender antes de agir. Se uma sociedade não consegue resolver os seus problemas (a pobreza, por exemplo) ou os deixa agravar, isso significa que há uma inadequada gestão da informação. A informação relevante não é elaborada ou tida em consideração, tende a afogar-se no labirinto da torrente informativa, torna-se difícil encontrar o fio à meada. Assim se cultiva a ignorância. A qualidade das escolhas, dos fins depende da qualidade da informação. No jogo comunicacional há vencedores e perdedores, existe um controlo dos fluxos informativos (agenda) que não é neutro, inocente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Um aparte, a minha mulher-a-dias tem uma ideia fixa: acha que enquanto existir falta de qualidade de vida há trabalho. Se o desemprego massivo persiste isso significa que se está perante uma disfunção que precisa de ser corrigida. No que se refere ao aquecimento global, defende que a&amp;nbsp;Terra parece ingovernável e existe uma irresponsabilidade generalizada e difusa. Mais uma vez é a falência do pensamento estratégico. Só para assustar: se os gelos da Gronelânia e Antártida&amp;nbsp;derreterem, o nível dos oceanos subirá centenas de metros. Teremos uma repetição do que aconteceu aos habitantes da Ilha de Páscoa que esgotaram o seu&amp;nbsp;ecossistema. Ela acha que o ser humano devia ter juízo. Errar é humano, mas não é preciso exagerar. Julga que se criou a ilusão de que a resolução do aquecimento global é uma questão meramente técnica: substituição da energia fóssil pela renovável, sem alterar o padrão de consumo e de produção. Vamos esperar para ver. Ela ri-se da ilusão de querer controlar o aquecimento global nos 2 graus de aumento. Crime ambiental? O que é isso? Um vizinho meu considera que o futuro e o denvolvimento passam urgentemente pela inovação ambiental. &lt;br /&gt;Uma nossa leitora avisa-nos que existem cientistas e investigadores, que não estão ligados a interesses, que têm dúvidas sobre a origem humana do aquecimento global.&lt;br /&gt;. &lt;br /&gt;A GRANDE QUESTÃO E DESAFIO INTELECTUAL &lt;br /&gt;Acha que os portugueses têm inteligência, talento e capacidade organizacional suficientes para fazer um País de sucesso, onde se acabe com a pobreza e todos tenham qualidade de vida? &lt;br /&gt;1-Não assisti à cena &lt;br /&gt;2-O Benfica vai ser campeão &lt;br /&gt;3-Não respondo a perguntas cretinas &lt;br /&gt;4-Existe quem não esteja para aí virado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Assinale com uma cruz (a tinta preta) a sua resposta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como o leitor deve ter reparado esta pergunta pressupõe que a inteligência não serve só para enfeitar o ser humano. Paradoxalmente consideramos quixotesca, uma batalha perdida a ideia de fazer um País sem pobreza e onde todos tenham qualidade de vida (tarefa complexa). É como se alguém no apogeu da escravatura do Império Romano pretendesse acabar com ela (escravatura). A frase "Sim, nós podemos!" do presidente Obama dos EUA é ingénua. Conheço quem defenda que, por exemplo, a escravatura ou a servidão dos camponeses na Europa medieval, na Rússia e no Japão, devem-se a causas económicas e não voluntaristas (uma pretensa maldade do ser humano). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PENSAMENTOS DA SEMANA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se a verdade te incomoda, rejeita-a!" &lt;br /&gt;Filósofo desconhecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sobreviver é viver." &lt;br /&gt;Anónimo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O ser humano existe em sociedade, mas isso não quer dizer que esta beneficie todos." &lt;br /&gt;Do mesmo anónimo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Esta última frase remete para a Teoria dos Jogos (uns ganham, outros perdem). Só por curiosidade, no póquer procura-se vencer enganando os adversários acerca das nossas intenções. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img alt="" border="0" height="506" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242111083990911618" src="http://1.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL-4QcpqioI/AAAAAAAAAI0/VORNSFQlC_k/s400/cronica02.gif" style="display: block; height: 506px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 397px;" width="397" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4508295288497764566-4136475759851487021?l=profkarmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4508295288497764566/posts/default/4136475759851487021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4508295288497764566/posts/default/4136475759851487021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://profkarmo.blogspot.com/2008/08/crnica-2.html' title='PARTE  II  -  Como enganar o parceiro'/><author><name>Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_78g94J7Nsic/SL5nKEIzYZI/AAAAAAAAAA0/FkLPGLWbcr8/s72-c/pic1.jpg' height='72' width='72'/></entry></feed>
